Pular para o conteúdo principal

Poética  

Manoel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar
às mulheres, etc.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Veja esta: Oportunidades disfarçadas nas crises

Início dos ano 1930. O mundo vivia uma destruição de riqueza sem precedentes: entre 1929 e 1933, o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos encolhera 45%. milhares de empresas fecharam as portas. Bancos, indústrias e negócios rurais reduziram drasticamente suas operações. Um em cada quatro trabalhadores perdeu o emprego. Mais de 12 milhões de americanos foram colocados na rua.
Em meio a essa turbulência, nos arredores da Peninsilvânia, o engenheiro Charles Darrow era uma das vítimas do desemprego. Confinado em uma casa sem nada para fazer, ele tentava distrair os filhos contando histórias e improvisando brincadeiras.
Certo dia, Charles recordou um passatempo interessante que havia conhecido no trabalho: um jogo divertido mas com regras complexas que simulava negociar imóveis por valores fictícios. Pensando em entreter as crianças enquanto a esposa preparava a refeição, ele começou a desenhar na toalha de mesa uma cidadezinha, com casas e prédios inspirados nas contruções da vizinhanç…

Reticências

Cheguei em casa ontem com uma sensação de pertencimento tão forte como a que somos capazes de sentir quando fazemos uma criança sorrir em um cenário de dor ou de tristeza. O dia estava nublado e eu estava esgotada, exausta, mas quando eu vi brilhar a presença dele o meu coração acelerou em disritmia.
De fato, aquela luz foi o que inaugurou o encanto, imagino que a sensação seja a mesma de estar em Paris, sentindo toda a elegância e a sedução daquelas Ruas poéticas e daquele ar familiar e deslumbrante. Sem previsibilidades ou pretensões e, simplesmente surpreender-se com a cintilância daquele pertencimento mágico e inominável.
Também já imaginei tomar um café com ele no mesmo lugar onde Beauvoir e Satre haviam se encontrado outrora.
Tive vontade!
Meus dias em São Paulo me levaram a percorrer caminhos novos e desconhecidos. No início fiquei um pouco atrapalhada com a velocidade de tudo e com poucos lugares tranqüilos para ficar, mas hoje procuro palavras para expressar a minha plenitude …

HAITI: O pais caribenho soterrado pela miséria, violência e agora pela desgraça estrutural

Meu país é doença em seu coração, todas as pessoas que têm no meu país vivem na rua – Jean Marc Fantaisie - 20 anos (Jovem haitiano, que reside na cidade de Jérémie, também conhecida como “A Cidade dos Poetas”. Jérémie é uma cidade rural do Haiti).


O Haiti é um país caribenho que se localiza no leste da América Central. Em 1492, os espanhóis ocuparam somente o lado oriental da ilha - atualmente República Dominicana – onde todos os índios da região foram mortos ou escravizados. Já o lado ocidental da ilha, onde hoje se localiza o Haiti, foi cedido aos franceses em 1697. Estes, por sua vez, passaram a cultivar cana de açúcar e a utilizar mão-de-obra escrava oriunda do continente africano. Em 1804 negros e mulatos haitianos travaram uma luta feroz contra os colonizadores franceses, que ficou conhecida como uma guerra de libertação nacional. Este movimento anti-racista e anti-colonial foi liderado pelo ex-escravo Toussaint L”Ouverture e, logo mais tarde, sob o comando de Jacques Dessal…